A Inlead é uma plataforma brasileira de funil de quiz: em vez de um formulário com campos, você monta uma sequência de perguntas em que a próxima tela depende da resposta anterior. A pessoa responde, deixa o contato no meio do caminho e recebe um diagnóstico no fim; você recebe o lead com as respostas e a pontuação anexadas. É o mesmo circuito que o QuizzFunnel e qualquer outra ferramenta da categoria rodam — o que muda entre elas é o editor, as integrações e a forma de cobrar.
Do lado comercial, o eixo da Inlead é público e verificável: a cobrança escala por número de funis, não por volume de lead. Na página de planos que consultamos em agosto de 2026, o plano de entrada trazia 2 funis ativos e o topo da tabela chegava a 25 — a escada é essa. Valor de tabela muda, e o registro dessa consulta, com os preços, está em Inlead: preços, planos e alternativas. O que este texto faz é o resto: o circuito etapa por etapa com o ponto em que cada uma quebra, o que a cobrança por funil muda na sua montagem antes de você abrir o editor, as duas contas de pontuação que quase todo quiz erra e onde esse formato não resolve nada.
O que dá para verificar sobre a Inlead — e o que não dá
Separar as duas coisas é o serviço que falta nos resultados que você acabou de fechar. Quase todo review descreve a tela do produto sem nunca ter aberto a conta:
- Dá para verificar sem assinar: o eixo de cobrança e a tabela de planos. Estão abertos no site dela, sem "fale com um consultor". Foi o que fizemos em agosto de 2026 — 2 funis ativos na entrada, até 25 no topo —, e é o que você deve refazer na data em que estiver lendo, porque tabela muda.
- Pergunte ao suporte antes de assinar: o teto de leads por mês e se existe período de avaliação. Nenhum dos dois constava da página de planos que consultamos, e são justamente as duas informações que decidem a conta.
- Não dá para afirmar de fora: como é o editor por dentro, quantos blocos existem, quais integrações aparecem nominalmente. Não abrimos a conta dela, e quem descreve a tela de um concorrente sem ter usado está escrevendo de memória — que é o pior tipo de fonte.
As cinco etapas entre o anúncio e o lead
Todo funil de quiz roda o mesmo circuito. A diferença para um formulário bonito é uma só: no quiz, a próxima tela depende da resposta anterior, e é isso que qualifica o lead antes de alguém falar com ele. O jeito útil de conhecer cada etapa é pelo ponto em que ela quebra:
| Etapa | O que acontece | Onde costuma quebrar |
|---|---|---|
| 1. Capa | Uma promessa e um botão de início | Promessa genérica ("responda nosso quiz") — o clique foi pago e ninguém começa |
| 2. Perguntas | Cada resposta abre a próxima tela | Pergunta demais, ou pergunta de cadastro disfarçada de pergunta de quiz |
| 3. Captura | Nome, e-mail e/ou WhatsApp | Pedida antes da primeira pergunta, ou depois de o resultado já ter aparecido |
| 4. Resultado | Devolve um diagnóstico ligado ao que a pessoa respondeu | Resultado idêntico para todo mundo — a pessoa percebe e não confia |
| 5. Saída | Lead + respostas + pontuação vão para CRM, zap, planilha ou pixel | Integração nunca configurada: o lead fica preso no painel da ferramenta |
O erro da etapa 5 que só aparece depois, na fatura: disparar um evento só, na abertura do quiz. Se é isso que chega no gerenciador, a única coisa que o Meta consegue otimizar é abertura de quiz — e ele vai te entregar exatamente isso, gente que abre e não termina. Dispare dois eventos, um no início e outro na captura, e otimize a campanha pelo segundo. Se o quiz roda em domínio próprio, refaça o teste depois de trocar o domínio: é na troca que UTM e pixel se perdem sem avisar.
As cinco etapas são também os cinco lugares onde a taxa de conclusão despenca. Mapeamos cada vazamento com o que fazer em onde o funil de quizz vaza lead.
O que cobrar por funil muda na sua montagem
Cobrar por funil — o eixo da Inlead — decide coisas antes de a primeira tela existir. Vale para qualquer ferramenta que cobre assim, inclusive a nossa: no START do QuizzFunnel são 2 funis publicados e 5 mil leads/mês. A aritmética é sempre a mesma: um funil de teste é um funil de produção a menos.
- Teste por duplicação come a cota. Se a ferramenta não divide o tráfego sozinha entre variações, cada versão da capa vira um funil publicado. Com cota de dois, testar significa tirar um funil do ar.
- Um funil por criativo encarece antes da verba. Quem roda cinco criativos com páginas diferentes sobe de degrau de plano sem ter aumentado um real de investimento.
- O teto que estoura primeiro pode ser o de leads, não o de funis. É o limite que a página de preços costuma esconder e que a campanha que dá certo encontra em duas semanas — na página da Inlead que consultamos, ele não constava. Pergunte esse número antes de assinar, em qualquer ferramenta, inclusive na nossa.
- Testar variação sem tráfego não responde. Com significância de 5% e poder de 80%, partindo de uma conversão de 20%, detectar uma diferença de 5 pontos percentuais exige cerca de 1.100 visitantes por variação; para detectar 2 pontos percentuais são mais de 6 mil (calculador de Evan Miller). Abaixo disso o recurso existe no plano e não devolve resposta.
A conta de payback da mensalidade e os tamanhos de amostra para outras diferenças estão em Inleads vale a pena.
As duas contas que quase todo quiz erra
São duas mecânicas diferentes e a maioria usa só a primeira. Lógica condicional decide o caminho: quem respondeu "sou autônomo" pula a pergunta sobre tamanho de equipe. Pontuação decide o rótulo: cada alternativa vale um peso, a soma cai numa faixa e a faixa determina o resultado. Junto, isso troca "João, joao@email.com" por "João, faixa alta, orçamento acima do mínimo" na mão de quem vai atender. E é aqui que aparecem os dois erros de conta que ninguém avisa.
Conta 1 — peso igual concentra a base no meio. O problema não é o que parece. Seis perguntas com alternativas de 0 a 3 dão máximo 18; cortando as faixas em terços, a faixa alta começa em 12 — e chegar lá não exige extremo nenhum: responder no penúltimo nível nas seis perguntas já soma 12. O que atrapalha é a aritmética da soma. Enumere as 4.096 combinações possíveis de respostas, supondo todas as alternativas igualmente prováveis: 2.920 delas (71%) somam entre 6 e 11, 756 (18%) caem na faixa alta e 420 (10%) na baixa. Seu público não responde ao acaso, então os percentuais reais serão outros — o que não muda é a direção: somar seis parcelas empurra massa para o centro, e a faixa do meio vira o rótulo padrão sem ninguém ter decidido isso. Conserto: dê peso maior às duas perguntas que de fato separam comprador de curioso (em geral orçamento e prazo), deixe as outras como contexto valendo pouco e corte as faixas onde a sua distribuição tem vale, não em três partes iguais.
Conta 2 — caminhos diferentes têm máximos diferentes. No momento em que você liga a lógica condicional, quem viu quatro perguntas tem um teto de pontos menor do que quem viu seis, e a mesma faixa passa a significar coisas diferentes para cada perfil. Pontue por percentual do máximo possível daquele caminho, não pela soma bruta — ou faça as perguntas puladas não valerem ponto nenhum, só segmentação.
Por isso a ordem de montagem é invertida — quem abre o editor e começa pela capa refaz o funil inteiro depois:
- Escreva os resultados primeiro: três a cinco perfis, cada um com o texto que a pessoa vai ler e a oferta que vem depois dele.
- Liste os critérios que separam esses perfis e marque quais dois deles decidem a venda. Esses dois ganham peso; o resto é contexto.
- Transforme cada critério em uma pergunta com as alternativas já pesadas, e confira o máximo possível de cada caminho antes de definir as faixas.
- Ordene as perguntas da mais fácil para a mais invasiva. Preço e prazo ficam no fim, nunca na abertura.
- Encaixe o formulário de captura depois da segunda ou terceira pergunta — e anote que essa posição é uma hipótese a testar.
- Só então escreva a capa, prometendo exatamente o resultado que você redigiu no passo 1. É isso que faz a promessa parar de ser genérica.
- Configure a integração e os dois eventos, responda o próprio quiz pelo celular e confira se o lead chegou no destino com as respostas anexadas.
Onde um funil de quiz não funciona
Quiz não cria demanda. Ele organiza a demanda que o seu anúncio já pagou para trazer.
Entender o mecanismo inclui saber quando ele não é a peça certa. Não vale montar funil de quiz — na Inlead ou em qualquer outra ferramenta — nestes casos:
- Produto de ticket baixo e decisão imediata. Quem já digitou o nome do produto na busca quer o botão de compra, não cinco perguntas.
- Ninguém para atender o lead qualificado. Se os contatos que já entram ficam dias sem resposta, o quiz só vai encher a fila mais rápido.
- Volume pequeno demais para aprender. Com poucas dezenas de respostas por mês você não lê drop-off por etapa, não recorta faixa de pontuação e não tem tráfego para o teste A/B da conta lá de cima.
- A escolha é só preço. Quando o cliente compara duas linhas de tabela, personalizar o diagnóstico não muda a decisão.
- Você não tem o que devolver no resultado. Quiz sem diagnóstico útil vira cadastro com etapas extras — pior que o formulário simples.
Fora desses casos, a comparação honesta não é quiz contra nada: é quiz contra a página de captura que você já roda, com o mesmo tráfego e a mesma janela de medição.
O que testar antes de assinar
Este roteiro vale para a Inlead, para o QuizzFunnel e para qualquer construtor da sua lista — inclusive contra nós. Confirme primeiro se existe período de avaliação e gaste o tempo nesta ordem:
- Publique um quiz de quatro perguntas com o formulário de captura no meio — não na primeira tela, não na última. Se não der para posicionar o cadastro no meio do fluxo, você perdeu o controle da etapa 3 e o resto da avaliação não importa.
- Responda pelo celular, em rede móvel de verdade, e cronometre o carregamento da primeira tela.
- Confira se o lead chegou no destino externo — CRM, planilha ou zap — com as respostas e a pontuação junto, não só o e-mail. É o que permite abrir a conversa no ponto certo em vez de recomeçar do zero.
- Entre por uma URL com utm_source e utm_campaign e veja se os parâmetros chegam grudados no lead.
- Dispare um evento no início e outro na captura e confira no gerenciador se os dois aparecem separados.
- Abra o painel de métricas e verifique se ele mostra abandono por etapa. Total de leads sem drop-off por pergunta não diz onde consertar.
- Rode um teste com duas capas e veja se a ferramenta divide o tráfego sozinha e reporta cada variação separada — ou se você vai precisar publicar dois funis e gastar cota.
- Exporte a base. Se a exportação for limitada ou travada no plano, todo lead que você captar fica refém da assinatura.
Perguntas frequentes
Como funciona a Inlead?
A Inlead é uma plataforma brasileira de funil de quiz: em vez de um formulário com campos, você monta uma sequência de perguntas em que a próxima tela depende da resposta anterior, o contato é capturado no meio do caminho e a pessoa recebe um diagnóstico no fim — você fica com o lead, as respostas e a pontuação. Comercialmente, o eixo dela é cobrar por número de funis, não por volume de lead. O funcionamento por dentro — quantas telas, como é a árvore de lógica na tela dela, quais integrações existem nominalmente — não dá para afirmar de fora: não abrimos a conta dela, e concorrente que descreve a tela sem ter usado está escrevendo de memória.
Como a Inlead cobra?
Por número de funis: o valor sobe conforme quantos funis você mantém publicados, e a tabela está aberta no site dela. Na consulta que registramos em agosto de 2026, o plano de entrada permitia 2 funis ativos e o topo da tabela chegava a 25. A consequência prática importa mais que o valor: quando a cota de funis é baixa e a ferramenta não divide o tráfego sozinha entre variações, cada versão publicada para teste ocupa um dos lugares — testar passa a significar tirar um funil de produção do ar. Vale perguntar também o teto de leads por mês, que não constava da página de planos e é o limite que estoura primeiro quando a campanha funciona.
Quanto tráfego preciso para testar duas capas do quiz?
Partindo de uma conversão de 20% e querendo detectar uma diferença de 5 pontos percentuais, com significância de 5% e poder de 80%, são cerca de 1.100 visitantes por variação (1.094 no calculador de Evan Miller). Diferenças menores custam muito mais tráfego: para detectar 2 pontos percentuais na mesma base são mais de 6 mil visitantes por variação. Abaixo desses volumes o teste A/B existe no plano e não devolve resposta — a diferença que aparece na tela é ruído, e trocar a capa por causa dela é decidir no escuro.
Em que ponto do quiz devo pedir o e-mail?
A regra de bolso é depois de duas ou três perguntas de baixo atrito e antes de mostrar o resultado: cedo demais a pessoa ainda não investiu nada, tarde demais ela já recebeu o que queria. Isso é prática do ofício, não número medido. Trate a posição como hipótese e decida com o seu próprio dado: mova o formulário uma pergunta para frente, leia o drop-off por etapa no painel e fique com a posição que perde menos gente.
Por que quase todo mundo cai no mesmo resultado do meu quiz?
Porque a soma de várias perguntas de peso igual se concentra no centro, e cortar as faixas em três partes iguais entrega esse centro como rótulo padrão. A conta dá para refazer na planilha: seis perguntas com alternativas de 0 a 3 geram 4.096 combinações de respostas; supondo todas as alternativas igualmente prováveis, 71% delas somam entre 6 e 11 — a faixa do meio quando o corte é em terços. Não é preciso responder no extremo para escapar (seis respostas no penúltimo nível já somam 12 e entram na faixa alta), mas poucos caminhos levam para fora do meio. Dois consertos: peso maior nas perguntas que decidem a venda, e faixas recortadas pela distribuição real depois das primeiras 100 respostas.
Funil de quiz serve para qualquer negócio?
Não. Ele não compensa em produto de ticket baixo com decisão imediata, quando a escolha é definida só por preço, quando não existe ninguém para atender o lead qualificado, quando você não tem um diagnóstico útil para devolver no resultado, ou quando o volume é pequeno demais para aprender — com poucas dezenas de respostas por mês não dá para ler abandono por etapa nem para rodar um teste A/B que responda. Quiz não cria demanda: organiza a demanda que o anúncio já pagou para trazer.
Fontes
- Inlead — página de planos (consultada em agosto de 2026) — Consulta usada neste texto: a cobrança escala por número de funis, com 2 funis ativos no plano de entrada e até 25 no topo da tabela. Teto de leads por mês e existência de período de avaliação não constavam da página consultada. O registro completo, com os valores, está em /blog/inlead-precos-e-alternativas/. Não guardamos a URL exata da página nessa consulta — confira a tabela vigente no site da Inlead na data em que estiver lendo.
- Evan Miller — Sample Size Calculator (A/B testing) — Cálculo padrão de duas proporções, com significância de 5% (bicaudal) e poder de 80%, base de conversão de 20%: 1.094 visitantes por variação para detectar uma diferença de 5 pontos percentuais (arredondado para ~1.100 no texto) e 6.508 para detectar 2 pontos percentuais (citado como 'mais de 6 mil').
- Conta feita neste artigo — distribuição da soma com pesos iguais — Enumeração das 4^6 = 4.096 combinações de seis perguntas com alternativas valendo 0, 1, 2 ou 3, todas igualmente prováveis: 420 combinações somam de 0 a 5, 2.920 somam de 6 a 11 e 756 somam 12 ou mais (10%, 71% e 18%). Reproduzível em planilha. Não é medição de base real — é a aritmética da soma sob distribuição uniforme.
- QuizzFunnel — planos e teste grátis — Limites citados no texto, vigentes em agosto de 2026: plano START R$ 97/mês com 2 funis publicados e 5 mil leads/mês, e teste grátis de 7 dias antes de qualquer cobrança.
